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Empresa fundada na primeira edição do Programa Doutor Empreendedor conquista o primeiro lugar em programa nacional

A Núcleo Vitro reproduz pele humana em laboratório como alternativa ética aos testes em animais.

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Bibiana Matte, Sócia-fundadora e diretora científica da Núcleo Vitro - Foto: Arquivo/Bibiana

Na sexta edição, o programa de aceleração Mulheres Inovadoras, idealizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destacou a startup gaúcha Núcleo Vitro como primeira colocada na iniciativa em 2025. O programa, que iniciou em setembro e divulgou o resultado nesta terça-feira (16/12), já havia concedido R$ 52 mil em investimento a todas startups selecionadas para iniciativa. Agora, em reconhecimento à primeira colocação, a Núcleo Vitro recebeu um aporte de R$ 48 mil.

A Núcleo Vitro é uma startup de biotecnologia, que nasceu em 2019, na primeira edição do Programa Doutor Empreendedor, edital criado pela Fapergs, com a parceria do Sebrae/RS e do CNPq. A empresa é especializada em testes laboratoriais de segurança e eficácia para produtos de saúde e cosméticos, usando métodos de biologia celular e engenharia de tecidos como alternativa ética aos testes em animais.

Bibiana Matte é a empreendedora à frente do negócio. Graduada em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com doutorado em Patologia Bucal pela mesma universidade, ela participou do programa Ciência Sem Fronteiras na University of Michigan (EUA), onde teve seu primeiro contato com cultivo celular.

Na época, Bibiana identificou uma demanda, principalmente no universo de cosméticos, por alternativas para a realização de testes de produtos. “Com o início da discussão sobre não fazer testes em animais, começamos a desenvolver um modelo de pele, que consiste em reproduzir a pele humana em laboratório”, explica.

Na prática, a Núcleo Vitro utiliza células da pele, como as que produzem colágeno ou têm ação antioxidante, para confirmar se um produto realmente possui o ativo que a empresa deseja anunciar.

O diferencial da Núcleo Vitro em relação aos concorrentes é o desenvolvimento de modelos de órgãos reproduzidos em laboratório, como a pele equivalente. Enquanto a maioria dos concorrentes trabalha apenas com células isoladas, a startup reconstrói as duas principais camadas da pele - a epiderme (camada superficial) e a derme (camada profunda, onde está o colágeno). Isso torna os testes da Núcleo Vitro mais fidedignos e reprodutíveis.

 A Núcleo Vitro possui seis modelos exclusivos e patenteados de pele equivalente in vitro, desenvolvidos para testes de produtos cosméticos, farmacêuticos e pet care. Recentemente, a companhia inovou ao se tornar a primeira no Brasil a adotar a tecnologia organ-on-a-chip, utilizando sistemas microfluídicos. Os sistemas simulam múltiplos órgãos conectados (como intestino e fígado), permitindo testes de segurança e eficácia sem o uso de animais. O avanço tem o potencial de acelerar significativamente as pesquisas em fármacos e nutracêuticos.

Em seis anos de operação, a empresa já avaliou mais de 2,4 mil produtos e desenvolveu mais de 50 metodologias diferentes, atendendo a mais de 240 empresas do Brasil e em outros países.A startup relatou um crescimento significativo nos últimos anos. A Núcleo Vitro cresceu mais de 50% de 2023 para 2024, e o mesmo crescimento é projetado de 2024 para 2025.

FAPERGS - Fundação de Amparo à pesquisa do Estado do RS